não procurem motivo oculto, nem segnda intenção, na publicação deste poema.
mais uma referência, mais um poema de eleição, mais um Sr...
porque há quem mereça ser conhecido e cujo talento mereça ser partilhado, simplesmente, porque sim...
desfrutem...
"Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Beatriz...
Olha,
Será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha,
Será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ah, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha,
Será que é uma estrela?
Será que é mentira?
Será que é comédia?
Será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida. . .
http://www.youtube.com/watch?v=KAggWL7WuGo&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=VucvCGF0i0g
diferentes, mas as duas versões são lindas...
a música, mais uma forma de amar...
de dizer que se gosta e o quanto se gosta
porque parece que assim soa melhor
Será que ela é moça?
Será que ela é triste?
Será que é o contrário?
Será que é pintura o rosto da atriz?
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha,
Será que é de louça?
Será que é de éter?
Será que é loucura?
Será que é cenário a casa da atriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ah, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha,
Será que é uma estrela?
Será que é mentira?
Será que é comédia?
Será que é divina a vida da atriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida. . .
http://www.youtube.com/watch?v=KAggWL7WuGo&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=VucvCGF0i0g
diferentes, mas as duas versões são lindas...
a música, mais uma forma de amar...
de dizer que se gosta e o quanto se gosta
porque parece que assim soa melhor
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
força secreta daquela alegria...
com palavras soltas,frases de um grande homem,expressão bela de sentimentos e de palavras por dizer...
"Que roseira bonita
Que me olha tão aflita
Pela chuva que não vem
Sabe o que lhe convém
Sabe o que lhe convém
Às vezes falo ao acaso"
"A coisa mais linda que existe..."
"Coisa mais linda nesse mundo
É sair por um segundo
E te encontrar por aí
E ficar sem compromisso
Pra fazer festa ou comício
Com você perto de mim
Na cidade em que me perco
Na praça em que me resolvo
Na noite da noite escura
É lindo ter junto ao corpo
Ternura de um corpo manso
Na noite da noite escura
A coisa mais linda que existe
É ter você perto de mim
O apartamento, o jornal
O pensamento, a navalha
A sorte que o vento espalha
Essa alegria, o perigo
Eu quero tudo contigo
com você perto de mim"
"A história da nossa ilusão"
"Agora é me dedicar
cantar nossa música
agora é só decidir
onde queremos ir
armar nossa tenda, já
que a nossa varanda vai ser
a estrada da vida
por onde o sol passará
e a lua também virá
contar nossa lenda
e os tempos futuros vão
saber como foi
escrever nos muros vão
nas pedras do chão
a história da nossa ilusão"
"A espiral é de fumaça
e o pensamento é de cristal"...

Gilberto Gil
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
sentir...sinta quem lê...
"Se eu te podesse dizer
O que não te direi
Tu terias de entender
Aquilo que nem eu sei"
um colega de alguém, uma vez perguntou, porque é que nós, cá no norte, quando dizemos que vamos sair para tomar café, fazemos tudo, menos tomar café?
realmente, não sei porque o fazemos, mas foi uma boa observação.
o café funciona como pretexto para encontrar amigos, conhecidos, caras...
e de há uns tempos para cá, felizmente, este pretexto serve também para nos deliciarmos com, imaginem, pacotes de açúcar...estes quase nos pedem para os trazermos.
no pacotinho de açúcar de hoje (e para quem não sabe, até já fiz colecção!) uma referência a um dos meus escritores de eleição Sr Fernando Pessoa. um trocadilho tão interessante, que serve para qualquer um de nós, para valorizar as nossas características pessoais...o nosso "eu".
"haverá algo mais verdadeiro do
que ser pessoa entre a multidão?"
"Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo.
Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir?
Sinta quem lê!"
Fernando Pessoa
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
.. e porque não?****

"Love, love me do.
You know I love you,
I'll always be true,
So please, love me do.
Whoa, love me do.
Love, love me do.
You know I love you,
I'll always be true,
So please,
love me do.
Whoa, love me do
Someone to love,
Somebody new.
Someone to love,
Someone like you.
Love, love me do.
You know I love you,
I'll always be true,
So please, love me do.
Whoa, love me do.
Love, love me do
You know I love you
I'll always be true,
So please, love me do
Whoa, love me do.
Yeah, love me do
Whoa, oh,
love me do."
So please,
love me do.
Whoa, love me do
Someone to love,
Somebody new.
Someone to love,
Someone like you.
Love, love me do.
You know I love you,
I'll always be true,
So please, love me do.
Whoa, love me do.
Love, love me do
You know I love you
I'll always be true,
So please, love me do
Whoa, love me do.
Yeah, love me do
Whoa, oh,
love me do."
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
menino do bairro negro
"Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção"
Zeca Afonso...
mais que uma música, um poema, e ainda mais que isso, um alerta para as deligualdades!
o nosso umbigo ganha cada vez mais força, e ja nem cumprimentamos quem passa, de tanto olharmos para ele...
mas os meninos do bairro negro também têm direito a ver o mar, o sol nascer...e cantar. os meninos do bairro negro somos todos nós com as nossas carências...o papão, todos os que nos ignoram, e nós próprios, quando ignoramos alguém...e a noite que tanto assusta, só anuncia o nascer de um novo dia.
se der, que nasça sem papão e sem umbigos, mas com meninos do bairro negro, porque esses (nós) não nos deixam esquecer que precisamos do outro, para sentirmos o que realmente somos nós!
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção
Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti
Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção"
Zeca Afonso...
mais que uma música, um poema, e ainda mais que isso, um alerta para as deligualdades!
o nosso umbigo ganha cada vez mais força, e ja nem cumprimentamos quem passa, de tanto olharmos para ele...
mas os meninos do bairro negro também têm direito a ver o mar, o sol nascer...e cantar. os meninos do bairro negro somos todos nós com as nossas carências...o papão, todos os que nos ignoram, e nós próprios, quando ignoramos alguém...e a noite que tanto assusta, só anuncia o nascer de um novo dia.
se der, que nasça sem papão e sem umbigos, mas com meninos do bairro negro, porque esses (nós) não nos deixam esquecer que precisamos do outro, para sentirmos o que realmente somos nós!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
"Mestre, meu mestre querido"

"Mestre, meu mestre querido!
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?
....
Mestre, meu mestre!
Na angustia sensacionalista de todos os dias sentidos,
Na magoa quotidiana das matemáticas de ser,
Eu, escravo de tudo como um pó de todos os verbos,
Ergo as mãos para ti, que estas longe, tão longe de mim!
Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente
Natural como um dia mostrando tudo,
....
.... Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!"
(Álvaro de Campos – Odes) Fernando Pessoa
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