segunda-feira, 13 de julho de 2009

À Beleza

"Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte, Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho, Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim.
És o teu nome.
Um milagre,
uma luz,
uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo,
sem pátria
e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço."

Miguel Torga

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